Visualizações

sábado, 3 de setembro de 2016

Dispareunia: a dor que aflige muitas mulheres durante a relação sexual


Quando o assunto é relação sexual, muitas mulheres reclamam que a penetração peniana é dolorosa e difícil. Essa dor durante ou na tentativa de coito, é chamada de dispareunia, sendo o distúrbio sexual que mais possui causa orgânica (aquela relacionada com a saúde dos órgãos), afetando 60% das mulheres com queixa de disfunção sexual. 

Embora seja possível manter o desejo, a excitação e a capacidade de ter orgasmo, a mulher pode ser acometida em uma ou em todas as fases de resposta sexual, o que consequentemente faz com que ela se desinteresse ou até mesmo evite a intimidade sexual, distanciando-se do parceiro.

Por outro lado, muitas mulheres que sofrem de dispareunia mantêm relações com seu parceiro por diferentes motivos (medo de perda ou infidelidade masculina etc).  Independente da situação, é preciso lembrar que, quando não tratada, essa disfunção pode evoluir para transtornos de excitabilidade e para a perda total de desejo sexual.

Diagnóstico

Na avaliação ginecológica, o fator inicial para um bom diagnóstico é a informação do local e do tipo de dor, para que se possa comparar com as patologias mais comuns nessas situações. Durante a investigação, deve-se clarear a situação a partir das seguintes perguntas: desde quando acontece? Com quem acontece? Em que situação acontece? Como acontece? Sempre foi assim? Possui fases de melhora ou piora? Como está sendo a evolução do problema?
O exame ginecológico é de fundamental importância, lembrando-se que essa avaliação inicia-se na observação da vulva. É muito comum, em nossa especialidade, a não valorização dessa parte do exame. Dessa forma, o médico preocupa-se imediatamente com a introdução do espéculo ou com o toque vaginal. Outro fator interessante é a associação da informação da paciente com relação à localização da dor durante o ato sexual, para que se possa comparar com o toque vaginal na hora da consulta.



Os exames complementares serão pedidos de acordo com a patologia que se deseja diagnosticar. São comuns exames à fresco diante de corrimentos vaginais; urina rotina e urocultura na suspeita de infecções urinárias e hemogramas para infecções pélvicas. Outro exame complementar, no caso de dispareunias profundas (queixa de dor ao coito no fundo da vagina), a laparoscopia. Já a ultrassonografia (USG endovaginal) vem trazendo cada dia mais subsídios significativos no esclarecimento da etiologia da dor coital profunda. Por tratar-se de um exame de diagnóstico não invasivo, ela tem a  preferência inicial.
Como a dispareunia orgânica é muito comum, principalmente em mulheres de idade avançada, só podemos falar em dispareunia psicogênica após exame clínico (ginecológico e abdominal), sendo que  algumas vezes é preciso pedir exames complementares (USG abdominal, USG endovaginal, RNM, laparoscopia etc).
Principais Causas Físicas de Dispareunia
  • Vulvovaginites (candidíase, tricomoníase, atrófica etc.);
  • Afecções dermatológicas (foliculites, furunculose etc.);
  • Bartolinites e skenites;
  • Deficiência estrogênica com lubrificação vaginal diminuída;
  • Uretrites e trigonites;
  • Cervicites e endometrites;
  • Doença inflamatória pélvica;
  • Endometriose;
  • Aderências pélvicas;
  • Retroversão fixa uterina;
  • Cistos, tumores e inflamação dos ovários;
  • Congestão pélvica.

Tratamento


O que fazer na dispareunia de causa física? Isso irá variar segundo a patologia orgânica responsável. O uso de medicamentos e/ou cirurgias, quando bem conduzi­do, leva a uma reversão do incômodo dos coitos dolorosos.
No caso da dispareunia de causa psicogênica, indica-se a Terapia Sexual (TS), sendo que a técnica comportamental mais importante é a Dessensibilização Sistemática. É necessário que o ginecologista seja treinado em TS para realizar a terapêutica de modo adequado. O prognóstico da dispareunia sem causas orgânicas é excelente.

Referencias: (1)KAPLAN, H. S. Evaluation of Sexual Disorders: Psychological and Medical Aspects. New York: Brunner/Maze, 1983. (2) JODOIN, M. et al. Male Partners of Women with Provoked Vestibulodynia: Attributions for Pain and Their Implications for Dyadic Adjustment, Sexual Satisfaction, and Psychological Distress, v. 5, n. 12, p. 2862-2870, 2009. (3) KATHERINE S, S.; CAROLINE F, P.; SUSAN, C. Pain, Psychosocial, Sexual, and Psychophysical Characteristics of Women with Primary vs. Secondary Provoked Vestibulodynia. Journal of Sexual Medicine, v. 6, n. 1, p. 205-214, 2009.